Friday, December 11, 2015

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Monday, March 21, 2011

Das loiras à Santa Inquisição



Que saudades dos tempos em que copos de vidro e talher de metal faziam parte dessa magia que é atravessar o Oceano Atlântico em um objeto voador do tamanho desse Airbus 330. Bem sei que naquela época ainda não se conhecia esse bichinho grande, barrigudo e de asas curtas.

Tudo então era de couro, elegante, refinado, pequeno, discreto e exclusivo.

E a magia era mais mágica, mais completa.

As aeromoças (essa palavra já adicionava um toque mágico, voador) eram todas loiras, altas e de pernas esculturais. Pareciam ter saído de uma cirurgia plástica de felicidade. 
Sorriam como se você fosse George Clooney e lhe tratavam como Berlusconi. 

É evidente que toda essa atenção terminava no momento do “Adeus e até a próxima viajem” também como num toque de mágica. Retornavam ao seu cotidiano banal de simples mortais. Nem sei se eram mais loiras!

Hoje a situação é outra. Para início não são mais loiras. São tão mais idosos – sim, no masculino - que o normal que até sinto pena em pedir algo mais para beber no meio da noite. E se ele não conseguir chegar até o final do corredor naquela escuridão da noite no meio do Oceano? 

Reprimo minha sede, repenso a alternativa mas decido pedir. Aquele rosto agradável e feliz de quem paquera o George já não existe. Agora é um olhar inquisidor que me agride perguntando com as pupilas se eu ainda rezo. Adeus magia, puff.....e tudo vira abóbora!

Eu adoro viajar e não me importo com esperas, atrasos ou cancelamentos. Tudo para mim é viajem. Mas que saudades dos tempos de Berlusconi quando tudo era cinema....Hoje o ônibus voa e o cobrador se aposenta atrás da roleta. 

Será que passou tanto tempo assim? Mas mais importante ainda, que feitiço extinguiu todas aquelas loiras?

Acordo. Lisboa finalmente, mais três horas no ar e estarei em casa!

Monday, March 14, 2011

De todo, flor.


Tem dias em que não sabemos bem como explicar as forças que nos movem, que nos empurram ao movimento certo (?), repetitivo, constante e sobretudo direcionado. Vivemos sem a consciência da vida, para frente, atrás da manada, em linha, acompanhando o todo. Nos escondemos atrás do rebanho e nos esquecemos da responsabilidade individual que o todo carrega. Cada um em si é responsável pelo todo.

Tem dias em que estar atento ao todo e alerta ao ordinário já faz a diferença.

Hoje é um desses dias.

O sol ainda teima em aparecer por detrás dos prédios cinzentos da cidade. Ela, poluída pelo homem que cria, avança rápido derrubando a natureza. E essa se esforça em ocupar seu espaço no meio do caos da imperfeição criada pelo mesmo homem que cria.

E eu aprecio, de longe, do alto, como se não estivesse fazendo parte disso.

Tamanha a agonia quando é preciso a forma mais bela da natureza me mostrar a realidade crua, dolorida e entorpecente da falsa beleza que se expande da minha varanda.

Porta aberta, e ele entra. Voando gracioso, me olha (ou sou eu quem imagina) como que pedindo licença. E entra. Rodopia pela sala, analisa, se trasporta pelo ar em movimentos leves de extremo cálculo matemático. Ele sobe, voa alto e o perco de vista. De uma forma natural sei que ele ainda é presente. No andar de cima ele me espera voando em círculos. Um pouco de paciência e ele se entrega nas mãos do criador/destruidor. Sinto seu coração bater mais rápido ainda.

Com uma confiança cega descansa em mim ciente de seus limites, entregue à sua própria vulnerabilidade.

Contra todas as leis de conduta social, converso com ele. Me desculpo e peço perdão por fazer parte do inimigo, por ser conivente. Pelo vidro das janelas, pelo espaço que ocupo em meio ao espaço que também é dele por direito Divino. Me desculpo e peço perdão por todas as árvores que permiti cair. Pela crença do Concreto, pela religião do Mais e pela filosofia do Tudo-pode. Me envergonho.

Já de volta a varanda ele, na mão, ainda descansa. Me olha carinhoso (ou a imaginação me toma novamente) e move a cabeça de um lado para outro. Mostro a flor, ele reage. Com a mão aberta ele ainda me concede o tempo necessário para apreciá-lo em sua forma mais completa e perfeita, inerente à criação.

E eu, o destruidor, me destruo por dentro quanto maior sua confiança em mim. Um beijo meu sela o pacto. Novamente ele me agrada com seus olhos negros, se levanta. Voa gracioso a minha volta e pousa em meu braço. Mais um olhar e seu dia se estende pela mata ciliar num voo calculado, perfeito, como cabe a toda perfeição concedida pelo Criador.

Me envergonho e me apresento ao novo dia, desta vez consciente da responsabilidade que carrego para com toda criatura, consciente da dor que me envolve e da vergonha que sinto. Responsável dou graças ao Criador e me entrego, confiante como meu novo amigo, às vicissitudes de um novo amanhecer.

Marcelo Gimenes