Monday, March 21, 2011
Das loiras à Santa Inquisição
Que saudades dos tempos em que copos de vidro e talher de metal faziam parte dessa magia que é atravessar o Oceano Atlântico em um objeto voador do tamanho desse Airbus 330. Bem sei que naquela época ainda não se conhecia esse bichinho grande, barrigudo e de asas curtas.
Tudo então era de couro, elegante, refinado, pequeno, discreto e exclusivo.
E a magia era mais mágica, mais completa.
As aeromoças (essa palavra já adicionava um toque mágico, voador) eram todas loiras, altas e de pernas esculturais. Pareciam ter saído de uma cirurgia plástica de felicidade.
Sorriam como se você fosse George Clooney e lhe tratavam como Berlusconi.
É evidente que toda essa atenção terminava no momento do “Adeus e até a próxima viajem” também como num toque de mágica. Retornavam ao seu cotidiano banal de simples mortais. Nem sei se eram mais loiras!
Hoje a situação é outra. Para início não são mais loiras. São tão mais idosos – sim, no masculino - que o normal que até sinto pena em pedir algo mais para beber no meio da noite. E se ele não conseguir chegar até o final do corredor naquela escuridão da noite no meio do Oceano?
Reprimo minha sede, repenso a alternativa mas decido pedir. Aquele rosto agradável e feliz de quem paquera o George já não existe. Agora é um olhar inquisidor que me agride perguntando com as pupilas se eu ainda rezo. Adeus magia, puff.....e tudo vira abóbora!
Eu adoro viajar e não me importo com esperas, atrasos ou cancelamentos. Tudo para mim é viajem. Mas que saudades dos tempos de Berlusconi quando tudo era cinema....Hoje o ônibus voa e o cobrador se aposenta atrás da roleta.
Será que passou tanto tempo assim? Mas mais importante ainda, que feitiço extinguiu todas aquelas loiras?
Acordo. Lisboa finalmente, mais três horas no ar e estarei em casa!
